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quarta-feira, 3 de junho de 2015

As contribuições positivas da Wicca para a Sociedade.

A Wicca ou o neo-paganismo, pode colaborar muito com a nossa sociedade moderna.
A Wicca é uma religião baseada em uma releitura do paganismo das sociedades antigas ou sociedades pré-cristãs. Tal fenômeno ocorre em virtude do descontentamento do quadro religioso e institucional atuais e das angustias dos jovens que buscam respostas, de forma intuitiva – o Chamado.
Em virtude de haver um único dogma, estrutura institucional mínima e descentralizada - osCovens – a Wicca atraí adeptos, em sua maioria adolescentes e jovens, por também haver Ritos de Passagens que trabalham os arquétipos e contribuírem com a responsabilidade social, ecológica e diversificada.
As responsabilidades sociais ocorrem em seus rituais de passagem destacando oHandfasting (casamento – junção das mãos), com ênfase no incentivo do casamento no civil, e o Hanparting (divórcio – separação das mãos) em uma tentativa de amenizar a ligação kármica do casal no momento da separação, contudo o casamento é um rito em que as vidas estão ligadas pelos laços emocionais e pelas ações e a cerimônia doHandparting serve como amenizador através da energia libertadora.
Em virtude de suas práticas místico-religiosas e de sua filosofia naturalista ou ecológica a Wicca e seus adeptos possuem uma ligação maior com a Natureza, tanto nos aspectos espirituais, elementais, cósmicos e Dhármicos. Através de seus exemplos de respeito com a Mãe-Natureza e os ecossistemas manifestos utilizando os três R’s (reciclar, reutilizar e reduzir), nos dando exemplos de preservação (conservacionismo) e gratidão pelos recursos ofertados pela alma primordial do Planeta – Gaia Mater – e pelos sutis presentes dos céus – Uranus Pater.
Para manifestarem suas gratidões, os wiccanos, utilizam a ferramenta da Magia, que mobiliza as energias a fim de manter a conexão sagrada. Tal ferramenta é uma espada de duplo corte, pois ao mesmo tempo em que atrai, fascina e transmuta, também assusta e repele os incompreensivos e fanáticos religiosos, que utilizam a retórica e a figura de pessoas ligadas as “entidades maléficas”. Porém, esta é uma forma vil de perseguir quem é diferente a fim de eliminar, execrar ou submeter a sociedade e o outro a sua postura fanática.
Embora a Wicca possua um dogma apenas este impede do praticante realizar um ato criminoso, sempre respeitando a liberdade de viver, com bom-senso, e o livre-arbítrio.
Porem, a parte filosófica não termina aí, pois eles respeitam as demais religiões em virtude da compreensão e da consciência colaborativa das Religiões no mosaico cultural. Além de nos ensinarem um princípio mestre sobre a vida, como um fenômeno pedagógico. Para os wiccanos a vida é uma grande publicana que um dia cobra o seu tributo, ou seja, o Sacrifício como um elemento equalizador, assim como no Passanah (filosofia judaica) em que tudo o que possuímos um dia vai embora e precisamos nos despegar, pois tudo é temporário e precisamos ter consciência e disposição para perder a fim de prosseguir ou conquistar, pois como nos afirmam os educadores físicos: “para ganhar músculos temos que perder gordura – emagrecer para ficar forte”. Sendo assim a Wicca nos mostra que de uma forma o acumulo é desnecessário, tal filosofia é citada no Judaísmo, no Budismo e no Estoicismo.
Apesar da Wicca se concentrar na Magia de forma demasiada esta religião naturalista pode constituir como uma parte do mosaico sócio-cultural importante. Porém, só o tempo e a oportunidade nos dirão.

sábado, 28 de junho de 2014

A questão dos benefícios no Budismo.

Em resposta aos que perguntaram sobre quais são os benefícios no Budismo ou o que a prática nesta fé pode trazer.
Roda do Dharma


A fim de esclarecer aos consulentes sobre o Dharma e a prática para alcançá-lo, ou seja, o que significa o conceito de benefício e quais são os verdadeiros benefícios das práticas no Budismo.
Benefícios significam méritos coletados de ações (Karma) positivas desfrutadas pelos homens em uma ou várias vidas. Porém os homens contemporâneos os confundem com a aquisição de bens materiais (posses), a satisfação dos sentidos (prazeres sensoriais, momentâneos e exagerados), o despertar dos poderes paranormais e sobrenaturais (magia ou pequenas virtudes), cura de doenças ou efeitos físicos ou a eminência da morte, o que gera como conseqüências o apego à vida e o medo da morte.
Orquídea
Os benefícios relacionados às práticas expostas pelos ensinamentos do Budha Shakyamuni são o autoconhecimento, a compaixão e o despertar das seis virtudes (paramitas)[1] – generosidade, moralidade, sabedoria prajna, paciência, diligência e concentração - e compreensão, contemplação e plena atenção aos fenômenos (internos e externos). Sendo assim, os legados mais importantes deixado pelo Buddha foram a moralidade e a sabedoria, como caminhos para a plenitude da vida e como comunhão com a essência mais sagrada da vida. Assim como fez Jesus Christos que se empenhou em ensinar os homens de sua época e de seu país, os caminhos da moralidade e do respeito, através das contemplações metafísicas das práticas dos Essênios[2] e das austeridades estóicas[3].
Os Essênios e Jesus Christos
Porém, os homens comuns se atentam para as virtudes menores, ou seja, os poderes psíquicos e mágicos e os resultados de curto prazo ligados aos valores materiais e aos sentimentos desnecessários, assim como, a valorização da avareza, da vaidade, da quantidade e do desdém aos demais. Características, estas, defendidas e vociferadas pelos adeptos da Teologia da Prosperidade e do Budismo de Resultados, como valores para “a satisfação e a glória pessoais” e sinais de “bênçãos” e “salvações”.
Mas o papel fundamental dos ensinos expostos pelos avatares eram a plenitude da vida, a temporaneidade (impermanência) e as ferramentas importantes para atingirmos/despertarmos as nossas sabedorias e as comunhões com o Dharma contido em nossas essências e em nosso caráter.
Meditação
Pois como o Buddha havia exposto, aqueles que controlam seus desejos e as suas mentes alcançam as suas verdadeiras auto-realições, diminui as dores e as amarras de suas Rodas de Sansara[4].
Desta forma os ensinos expostos têm o objetivo de religar os homens aos seus lados mais sagrados e a viverem livres de desejos, das ilusões e dos apegos. Mas que os homens comuns, a plebe, a fim de manter seu apego às ilusões, as paixões intensas e aos valores efêmeros, desprezam esta proposta e buscam a anistia, através da retórica vazia e de uma atitude momentânea e teatralizada, uma falsa moral, da qual ele exige do outro, porém se atenta para a “espetacularização da fé”, gerando assim desonestidade intelectual e social e, conseqüentemente, aprofundando suas amarras kármicas[5].
Sábios e o Dharma


Notas e referências bibliograficas:
[1] YÜN, Hsing – Budismo: conceitos fundamentais – Editora Cultura - São Paulo – S.P. – 2005 – págs. 106 à 107.
[2] Os Essênios foram uma sociedade secreta de homens reclusos dedicados aos estudos esotéricos e metafísicos, considerados como um braço judaico das Ordens Esotéricas do Egito, que por sua vez eles transmitiram seus ensinos à Jesus Christos e aos seus discípulos de confiança. Foram registrados nos Manuscritos do Mar Morto. LEWIS, H. Spencer – As Doutrinas Secretas de Jesus – Grande Loja do Brasil – 1998 – pág. 17, MEUROIS-GIVAUDAN, Anne e Daniel – O Caminho dos Essênios: A vida oculta de Cristo relembrada– Editora Objetiva - pág. 119 e TARNAS, Richard – A Epopéia do Pensamento Ocidental – Bertrand Brasil – Rio de Janeiro – R.J. – 2008 – págs. 161 e 162.
[3] Segundo os historiadores cristãos e historiadores da filosofia o Estoicismo foi o elemento helenístico que influenciou a moralidade cristã e prática da austeridade no cotidiano. TARNAS, Richard – Op. Cit– págs. 119, 137 e 162 e . MARCONDES, Danilo – Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos à Wittgenstein– Editora Jorge Zahar – Rio de Janeiro – R.J. – 2010 – pág. 92.
[4] Darmapada:Adoutrina budista em versos – L&PM Editores – Poto Alegre – R.S. – 2009 – págs. 111 à 115 e YÜN, Hsing – Budismo Puro e Simples: Comentário sobre o Sutra das Oito Percepções dos Grandes Seres – Editora Cultura - São Paulo – S.P. – 2002 – págs. 08, 51 à 53.
[5] LIVRAGA, Jorge Angel – O Alquimista: A trilha de um jovem nas ciências ocultas – Editora Nova Acropole - Brasília – D.F. – 2010 – pág. 162.