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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Pós-graduações holísticas.


Quando um jovem termina a faculdade uma preocupação que passa pela sua cabeça é a pós-graduação, quando não é o mercado de trabalho. Porém, o graduado acaba rumando para uma especialização, seja ela Lato Sensu (especialização e MBA – MasterBusiness Administration) ou Stricto Sensu (mestrado, doutorado e pós-doutorado).
Desta forma o acadêmico tem seu conhecimento aguçado para uma visão estreita de sua área científica ou tecnológica, sendo arremessados ao limbo oclocrático o Polímata e o FilósofoRespigador.1
Homem Vitruvianofilósofo eclético
O polímata é o homem que tem um conhecimento científico e tecnológico. Também é conhecido como o homem multifacetado. O polímata é uma pessoa excepcional por seus talentos múltiplos, holísticos e aprofundados, apresenta as virtudes da investigação, do pensamento correto e da concentração correta.2
Contudo, este sábio é execrado pela nossa sociedade oligofrênica, oclocrática, medíocre e desonesta e pelos demais acadêmicos materialistas, instituições universitárias e políticos alinhados com as políticas de esquerdas.
Podemos citar como um exemplo de polímata por excelência o mestre Leonardo Da Vinci, que possuía inúmeras habilidades e conhecimentos, foi pintor, músico (cantor), escultor, arquiteto, engenheiro, inventor, astrônomo, astrólogo, anatomista, biólogo, ornitólogo, geólogo, filosofo, alquimista e escritor.3 Ousamos afirmar neste artigo que o mestre renascentista foi o único sábio polímata que até hoje não houve outro igual.4
Mestre reascentista
O filósofo respigador é o filosofo eclético, em virtude de sua ampla cultura e e sua grande capacidade de erudição, este sábio, investiga e aglutina todas as filosofias, em suas melhores e mais sublimes ensinos, a fim de promover a civilização.5
Ele consegue juntar e conectar através da investigação comparativa todas as sabedorias dos Grandes Mestres, colocá-las em prática nas suas vidas e expô-las através do discurso e do exemplo de vida moral e ética.6
Assim como o polímata, o filósofo respigador possui as mesmas virtudes e as mesmas angustias supra-citadas. São acusadas de serem “perdidos” e por isso são desacreditados ou ignorados.
Citamos neste artigo alguns respigadores que realizaram este Modus Operandi no pensamento ocidental e colocaram em prática como Cicero7, Giordano Bruno, Helena Petrovna Blavatsky e Jorge Angel Livraga Rizzi. Esta pessoas unificaram as filosofias ocidentais e orientais a fim de promoverem a civilização.
Estes dois tipos de notáveis – polímatas e respigadores – se distinguem dos demais intelectuais, pois transcenderam as mentes de desejos e organizativas (Kama Manas), utilizando as suas mentes puras (Manas) com amplitude, ou seja, utilizam uma parte das suas inteligências Viveka.8
Porém, a nossa sociedade acadêmica parece esquecer este detalhe importante e relega a pós-graduação ao estreitamento epistemológico.9 Segundo o Prof. Peter Burke, as universidades precisam criar um espaço para estas pessoas de inteligência Viveka.10
Pois, o nome Lato significa amplo,11 portanto tal pós-graduação deveria ser holística. Aliás, a educação precisa atender as vocações e a aristocracia12. Sendo assim, o Lato Sensu é o sentido amplo (o grifo é nosso), e amplitude se relaciona com a holística, que tem o mesmo sentido.
Já o Stricto Sensu, que significa sentido estrito (o grifo é nosso), foram direcionados aos cursos de pós-graduação de longa duração e com o objetivo de aguçar o conhecimento, não de forma holística.13 Entretanto, o sentido de Stricto nos remete a ideia de hermetismo, uma guisa de conhecimentos restritos em que as merecedores são convidados a ingressar nesta senda. Mas, atualmente o ingresso ao Stricto Sensu tem ocorrido através da rede de amizade ou de conhecimento ao invés de ser através do mérito e do caminho discipular.14
Pois, as graduações são iniciações científicas aos portais do conhecimento e da investigação. Vide a formatura ser um ritual de passagem. E a pós-graduação seria esta entrada nos mistérios das ciências e da tecnologia. E nossa sociedade esta vazia de conhecimentos holísticos e quem os defenda.15
Notas e referências bibliográficas:
1BURKE, Peter, O historiador como colunista – Ensaios para a FOLHA – Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro – R.J. - 2009 – pág. 182.
2BURKE, Peter, Op. Cit. – págs. 179 à 181.
3BURKE, Peter, Op. Cit. – pág. 181. e DA VINCI, Leonardo ( trad. MALVEZI, Marcos), Anotações de Da Vinc – por ele mesmo – Editora Madras – São Paulo – S.P. - 2004 – pág. 09.
4N.A. (Nota do Autor) – Embora, haja inspiração por muitos de nós referente ao Leonardo Da Vinci não conseguimos realizar metade do que ele realizou.
5FERACINE, Luis, Cícero – O maoior filosofo latino – Editora Escala – São Paulo – S.P. - 2011 – págs. 13 e 14.
6Idem – Ibidem.
7Marco Túlio Cícero, nasceu em 03 de janeiro de 106 a.C, em Arpino – filosofo, historiador, advogado e senador de Roma. em FERACINE, Luis, Op. Cit. – págs. 36.
9BURKE, Peter, O historiador como colunista – Ensaios para a FOLHA – Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro – R.J. - 2009 – pág. 182. e ISASA, Michel Echenique e ALVES, Dimas Pincinato, Filosofia e Vocação para Educadores – Trilha A – Editora Nova Acropole – Belo Horizonte – M.G. - 2009 – págs. 77 à 80 e 115 e 116.
10BURKE, Peter, Op. Cit. – pág. 182.
11http://www.significados.com.br/lato-sensu/ acessado em 28 de junho de 2015 às 13:05.
12ISASA, Michel Echenique, A Vocação nossa de cada dia – Editora Nova Acropole – Belo Horizonte – M.G. - 2010 – págs. 77 à 80 e 163 e 165.
13http://www.significados.com.br/stricto-sensu/ acessado em 28 de junho de 2015 às 13:06.
15http://www.gostodeler.com.br/materia/18910/consideracoes_sobre_o_batismo_e_as_iniciacoes_pueris.htmle ISASA, Michel Echenique e ALVES, Dimas Pincinato, Op.Cit.– págs. 18 à 30.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

As contribuições positivas da Wicca para a Sociedade.

A Wicca ou o neo-paganismo, pode colaborar muito com a nossa sociedade moderna.
A Wicca é uma religião baseada em uma releitura do paganismo das sociedades antigas ou sociedades pré-cristãs. Tal fenômeno ocorre em virtude do descontentamento do quadro religioso e institucional atuais e das angustias dos jovens que buscam respostas, de forma intuitiva – o Chamado.
Em virtude de haver um único dogma, estrutura institucional mínima e descentralizada - osCovens – a Wicca atraí adeptos, em sua maioria adolescentes e jovens, por também haver Ritos de Passagens que trabalham os arquétipos e contribuírem com a responsabilidade social, ecológica e diversificada.
As responsabilidades sociais ocorrem em seus rituais de passagem destacando oHandfasting (casamento – junção das mãos), com ênfase no incentivo do casamento no civil, e o Hanparting (divórcio – separação das mãos) em uma tentativa de amenizar a ligação kármica do casal no momento da separação, contudo o casamento é um rito em que as vidas estão ligadas pelos laços emocionais e pelas ações e a cerimônia doHandparting serve como amenizador através da energia libertadora.
Em virtude de suas práticas místico-religiosas e de sua filosofia naturalista ou ecológica a Wicca e seus adeptos possuem uma ligação maior com a Natureza, tanto nos aspectos espirituais, elementais, cósmicos e Dhármicos. Através de seus exemplos de respeito com a Mãe-Natureza e os ecossistemas manifestos utilizando os três R’s (reciclar, reutilizar e reduzir), nos dando exemplos de preservação (conservacionismo) e gratidão pelos recursos ofertados pela alma primordial do Planeta – Gaia Mater – e pelos sutis presentes dos céus – Uranus Pater.
Para manifestarem suas gratidões, os wiccanos, utilizam a ferramenta da Magia, que mobiliza as energias a fim de manter a conexão sagrada. Tal ferramenta é uma espada de duplo corte, pois ao mesmo tempo em que atrai, fascina e transmuta, também assusta e repele os incompreensivos e fanáticos religiosos, que utilizam a retórica e a figura de pessoas ligadas as “entidades maléficas”. Porém, esta é uma forma vil de perseguir quem é diferente a fim de eliminar, execrar ou submeter a sociedade e o outro a sua postura fanática.
Embora a Wicca possua um dogma apenas este impede do praticante realizar um ato criminoso, sempre respeitando a liberdade de viver, com bom-senso, e o livre-arbítrio.
Porem, a parte filosófica não termina aí, pois eles respeitam as demais religiões em virtude da compreensão e da consciência colaborativa das Religiões no mosaico cultural. Além de nos ensinarem um princípio mestre sobre a vida, como um fenômeno pedagógico. Para os wiccanos a vida é uma grande publicana que um dia cobra o seu tributo, ou seja, o Sacrifício como um elemento equalizador, assim como no Passanah (filosofia judaica) em que tudo o que possuímos um dia vai embora e precisamos nos despegar, pois tudo é temporário e precisamos ter consciência e disposição para perder a fim de prosseguir ou conquistar, pois como nos afirmam os educadores físicos: “para ganhar músculos temos que perder gordura – emagrecer para ficar forte”. Sendo assim a Wicca nos mostra que de uma forma o acumulo é desnecessário, tal filosofia é citada no Judaísmo, no Budismo e no Estoicismo.
Apesar da Wicca se concentrar na Magia de forma demasiada esta religião naturalista pode constituir como uma parte do mosaico sócio-cultural importante. Porém, só o tempo e a oportunidade nos dirão.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A metempsicose, ou o “Novo sexo dos anjos”, e o renascimento (reencarnação).

Uma antiga discussão, que hoje se torna motivo de perseguição e escárnio. Pois é um patrimônio espiritual dos seres sencientes.
O renascimento ou reencarnação é um patrimônio que ocorre com os seres viventes dos seis reinos existenciais. Mas, neste artigo abordaremos apenas dois reinos e a relação entre eles, pois estão próximos um do outro, são visíveis e palpáveis. Os reinos existenciais dos Animais e dos Humanos, sendo o primeiro, considerado como um plano de existência inferior, devido a sua carga de dor e limitação grande e visível, tornando-se um fato doloroso e pedagógico para os humanos, cujo reino é considerado superior, em virtude do livre-arbítrio, do posicionamento da consciência e da potencialidade de se iluminar alcançando o Nirvana.1
Porém, vamos observar a questão do renascimento (reencarnação), pois, este fenômeno, muito debatido, entre prós e contras a sua ocorrência e aqueles que têm uma perspectiva otimista e pessimista.2
Com isso podemos afirmar que a manifestação do renascimento se dá em virtude das causas e condições aglutinadas para esta ocorrência, pois, o ser humano é o agente e responsável por este fenômeno, graças a realização (consciente ou inconsciente) dos elos (Nidanas) através das três vias (pensamento, ação e palavra).3 Tudo o que os seres sencientes fazem tem efeito, porém, devemos ter consciência de tudo o que falamos, pensamos e fazemos. Entretanto, a nossa sociedade, notadamente a fluminense, atuais não incentivam a austeridade nas três vias e até a recrimina esta virtude e a noção de auto-controle civilizatório.4
Sendo o corpo (Soma ou Stula Sharira) perecível, pois quando se desgasta e a mente e o espírito o abandonam, pois estes são eternos, imortais e ligados aos planos sutis mais elevados.5 Mas como todos os seres sencientes geram elos que os prendem aMaya (ilusão) que age, justamente, na ideia dos apegos aos prazeres, aos medos, a ignorância e a repulsa da dor.6
Os seres sencientes se tornaram prisioneiros de suas ilusões e das emoções, que são causas e consequências. É neste ponto que retornamos as questões do renascimento e do meio. Sendo o primeiro uma manifestação dos apegos ou causa gerada pelos doze elos, realizados, em toda uma vida.
A partir do renascimento podemos destacar como um dos efeitos dentro dos elos, ou seja, o efeito de uma causa, que nos prende a uma roda sutil de existências conhecida com os nomes de Roda de Samsara, Roda do renascimento ou Roda das Almas (Guigul Neshamot) que denotam um ritmo natural da espiritualidade, observados pelos sábios de antanho e que afirmavam a responsabilidade dos homens por este ciclo.7
Dois grandes blocos...linhas...correntes religiosas, que abordam o renascimento ou reencarnação, como origem fenomenal da existência humana e animal e da manifestação da dor como foi abordado no artigo “Sobre o karma”.
Contudo, neste artigo vamos abordar as correntes cristãs (Espiritismo-cristão e a Igreja Católica Liberal – ICL8) e as tradições hindu-búdicas. Ambas as linhas abordam a reencarnação/renascimento como fatos fenomenológicos da existência cíclica, porém, o que as diferenciam são as abordagens referentes à metempsicose, pois o bloco cristão não concorda com a possibilidade de uma pessoa renascer como animal, em virtude da defesa de um progresso espiritual constante e contínuo do ser humano.
Desta forma as tradições cristãs discordam das “tradições orientais”, pois estas afirmam que os seres humanos podem, em virtude das causas cometidas, nascerem nos reinos inferiores. Porém, a metafísica oriental afirma a possibilidade de renascimento nos reinos superiores (humanos, Asuras – titãs ou anti-deuses – ouDevas (Deuses) ou em mundos mais felizes ou alcançarem o Nirvana e assim não mais renascerem e se integrarem com o Dharma.
Mas, quais são as bases para estas afirmações? Mais precisamente sobre a questão de renascer como animal ou mesmo não renascer?
Para as tradições orientais, cujas lógicas metafísicas se baseiam nas Filosofias de Mistérios iniciáticos, que afirmam a questão da causa e do efeito, ou seja, aonde colocamos nossas consciências (Antaskarana).
Podemos classificar os humanos em três categorias, através dos discursos doBuddha e do Bhaghavad Gita, ao abordarem aonde os homens aprisionados porMaya, colocam suas consciências.
Analisemos de cima para baixo. Os homens sábios e santos colocam suas consciências no mais elevado dos ideais e da sua psique – a Mente pura (Manas) e possuem uma chispa de intuição, além de vislumbrar a sua parte atmica (Vontade).9
Mais especificamente colocam suas consciências no caráter, a sua centelha divina, tais homens são classificados como Sattvas, iniciados, sábios, mestres e santos. Aqueles que transcenderam a personalidade e as amarras do mundo comum.10
Já os homens materialistas, céticos e intelectuais colocam suas consciências na Mente de desejos e organizativa (Kama-Manas).11 Sendo que nesta categoria de homens podemos identificar dois tipos de homens: os intelectuais e os materialistas, pessoas apegadas a matéria e aos fenômenos.
Segundo o Bhaghavad Gita, estes homens são chamados de Rajas, em virtude da posição de sua consciência nas questões deste mundo denso e ilusório, por isso ficam apegados ao mundo material e a intelectualidade vazia.12 Como foi explicado no artigo sobre “As inteligências”.13
Agora, observemos os homens comuns, a plebe, que posicionam suas consciências nas emoções (Linga Sharira) para baixo, vislumbrando apenas a mente de desejos de forma leviana, vivendo de forma instintiva e passiva (inerte)14. O Bhaghavad Gita os classificam como Tamas, por viverem de forma irracional, inconseqüente e seguirem seus instintos mais primitivos valorizando seus desejos desnecessários e se apegando as suas paixões.15
A identificação com as emoções é uma característica dos animais, que vivem de acordo com seus instintos primitivos,16 assim são estes homens tamásicos, que segundo um lamento proferido pelo mestre Paramahansa Yogananda, são homens que se identificam com a sua parte animal – as emoções.17
Logo, podemos chamá-los de homens-animais, por possuírem a forma humana, mas agem e se identificam com os animais. Que através destas causas lançam as sementes para renascerem como animais.
Pois como foi dito anteriormente os homens são responsáveis pelo fenômeno do renascimento, embora, os animais também tenham esta responsabilidade.
Entretanto, por darmos atenção ao Reino Humano ignoramos os demais reinos. E a discussão sobre a Mentempsicose nos parece infrutífera, em virtude da importância da divulgação referente ao renascimento(reencarnação) e o aproveitamento deste patrimônio para evoluirmos ou nos libertarmos desta Roda de Renascimentos – alcançar o Nirvana -, sempre cônscios da Lei de Causa e Efeito (Dharma) e de nossas ações (Karma), pois não somos crianças e devemos agir de forma madura, austera e responsável.
Notas e referências bibliográficas:
1YÜN, Hsing – Budismo: Conceitos fundamentais – Editora de Cultura, São Paulo – S.P. – 2005 – pág. 14. e LIVRAGA, Jorge Angel - Fundamentos da Teoria da Reencarnação – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2009 – pág. 11.
2YÜN, Hsing – A Roda do Renascimento – Templo Zu Lai, Cotia – S.P. – 2004 – págs. 30 à 31.
3YÜN, Hsing – Budismo: Conceitos fundamentais – Editora de Cultura, São Paulo – S.P. – 2005 – pág. 47.
4YÜN, Hsing – Op. Cit. – págs. 08 e 09.
5LIVRAGA, Jorge Angel – Reflexões Filosóficas sobre a Vida e a Morte – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2010 – págs. 07 à 10.
6GUZMÁN, Délia Steinberg – Os Jogos de Maya – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2010 – págs. 23 e 24.
7SILVA, Severino Celestino da – Reencarnação no Novo Testamento (parte 2) –In Correio Espírita n° 112, Centro Cultural Correio Espírita, Niterói – R.J. - pág. 15.
8N. A. (Nota do Autor) – Esta é uma Igreja Católica que não obedece ao Vaticano, portanto não esta ligada ao Catolicismo Romano. Em virtude da Declaração de Utrecht de 1889. Este é um cristianismo Gnóstico. Verhttp://www.catolicaliberal.com.br/icl/playaudio.php?msg=103 acessado em 18/04/2015 às 14:07.
9LIVRAGA, Jorge Angel - Fundamentos da Teoria da Reencarnação – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2009 – págs. 12 à 15. e Ver artigo: http://www.gostodeler.com.br/materia/18942/as_inteligencias.html
10BHAGHAVAD GITA – Editora Pensamento-Cultrix, São Paulo – S.P. - 2006 - págs. 156 à 160
11LIVRAGA, Jorge Angel - Fundamentos da Teoria da Reencarnação – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2009 – págs. 12 à 15.
12BHAGHAVAD GITA – Editora Pensamento-Cultrix, São Paulo – S.P. - 2006 - págs. 156 à 160
13Ver artigo: http://www.gostodeler.com.br/materia/18942/as_inteligencias.html
14LIVRAGA, Jorge Angel - Fundamentos da Teoria da Reencarnação – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2009 – págs. 12 à 15.
15BHAGHAVAD GITA – Editora Pensamento-Cultrix, São Paulo – S.P. - 2006 - págs. 156 à 160
16GUZMÁN, Délia Steinberg – Op. Cit. – Nova Acrópole, Belo Horizonte – M.G. - 2010 – pág. 35.
17YOGANANDA, Paramahansa – A Yoga de Jesus – Self-Realization Fellowshipi, São Paulo – S.P. - 2013 – pág. 57.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Zen.

Neste presente artigo se faz uma exposição sobre o fenômeno da popularização da palavra “Zen” e esclarecer sobre o seu significado e o que realmente ele é.
Ch&39;an
Toda vez que ouvimos as expressões populares sobre o Zen[1] as tornam adjetivos pessoais. Como exemplos: “Fulano é zen”; “hoje meu marido está zen”. O zen desta forma se tornou um adjetivo de tranqüilidade, embora a palavra tem uma relação com este estado mental, mas que não está submetido aos fatores externos.
A origem da palavra Zen, ligada ao Budismo, pois faz parte dos ensinamentos do Buddha, vem de Zen-na, de origem japonesa, em virtude da chegada do budismo no Japão, pois a Escola que havia entrado se chamava de Ch’ an, de Ch’an-na, de origem chinesa, esta expressão era oriunda da palavra sânscrita Dhyana, que sugnificava “Concentração Tranqüila”, uma ferramenta exposta pelo Buddha Shakyamuni (Siddartha Gautama), ao passar um ensinamento silencioso, do qual ele levantou uma flor com a mão e a sustentou, seus discípulos não compreenderam este ensino, apenas Mahakashyapa o compreendeu e expôs o ensino compreendido[2].
Orquídea
Sendo assim, o Dhyana (Zen) é um ensino que expõe a vacuidade (Sunyata) em todos fenômenos da Vida, o comportamento da mente, a observação da Gênese Condicionada e a aplicação de uma concentração tranqüila nas tarefas cotidianas[3], tal método é desprezado e escarnecido pelos homens ocidentais contemporâneos (bárbaros).

Desta forma o Dhyana é parte da vida cotidiana, ou seja, estarmos presentes de forma fluídica, contínua e tranqüila, concentrados e atentos a fim de controlarmos os nossos instintos e seguirmos os nossos dharmas e, juntamente a este método, respondermos as perguntas de nossos pequenos mistérios: Quem somos? De onde viemos? Para aonde vamos? Cada homem e mulher deste planeta responderão para si mesmos a estas perguntas e realizar sua jornada[4].

A popularização do Zen (Dhyana) se deu em virtude do I Parlamento das Grandes Religiões, em Chicago no ano de 1893, do qual a única Escola budista que aceitou o convite foi a Escola japonesa Rinzai (uma escola zen)[5], embora a chegada do Budismo em terras ocidentais se deu nos meados do Séc. XIX, ocorrendo conversões de proeminentes figuras da sociedade estadunidense, como o militar e jornalista Henry Steel Olcott, co-fundador da Sociedade Teosofica em New York[6].

Coronel Henry Steel OlcottCoronel Olcott e monge singalêsI Parlamento das Grandes Religiões, Chicago - 1893

Voltemos as nossas atenções ao I Parlamento de 1893, sendo a Escola Rinzai a se promover, apesar de não ter apoio institucional, além de serem sobrepujados pela presença do Swami Vivekananda (hinduísta), cuja presença era ansiosamente esperada, conseguiram lançar suas sementes em terras ocidentais, pois até hoje a escola budista mais conhecida pelos ocidentais é o Zen (Dhyana) [7]. Tanto de forma mítica, como filosófica, passando pelas formas artísticas da Literatura (caligrafia, Haicai – poemas naturalistas,que valoriza a concisão e a objetividade -, Koans – contos paradoxais)[8] e das artes plásticas (Sumi-ê – desenhos paisagísticos  ou natureza morta, que refletem a calma  e a reflexão, feitas em tinta nanquim)[9].
Meditação
Sendo assim, o Dhyana ou o Zen é um método exposto pelo Buddha Shakyamuni, que utiliza a meditação Samartha, a fim de conduzir as mentes humanas à tranqüilidade e conseqüente concentração e auto-conhecimento. E não é um termo vulgar que adjetiva as pessoas tranqüilas e focadas[10].

Notas e referências bibliograficas:

[1] O Zen está contido dentro da corrente Mahayana (grande Veículo). STODARTT, William - O Budismo ao seu Alcance – Editora Nova Era – Rio de Janeiro – R.J. 2001 – Pág. 32.
[2] YÜN, Hsing – A Essência do Ch’an – Templo Zu Lai – Cotia – S.P. 2003 – Pág. 06.
[3] Uma das escrituras budistas que faz referências a vacuidade e o relaciona com o Dhyana é o Sutra do Coração da Sabedoria (Prajna Paramita Hradya Sutra). Expondo o verdadeiro aspecto comportamental da mente perante os fenômenos da mente e o verdadeiro caminho para a libertação das Ilusões (Maya).
[4] YÜN, Hsing – Histórias Ch’an – Editora Shakti – São Paulo – S.P. 2000 – Págs. 09 à 11.
[5] PEREIRA, Ronan Alves – O Budismo Japonês: sua história, modernização e transnacionalização  – Artigo disponível na Reviste Eletrônica de Religiões (REVER) da PUC-SP – São Paulo – S.P. 2004 – Págs. 18 e 19.
[6] Ver em http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o_nos_Estados_UnidosBudismo. Acessado em 17 de novembro de 2013 às 17:59.
[7] PEREIRA, Ronan Alves – Op.Cit  – Págs. 19 e 20.
[8] Todas as artes literárias sofreram influência profunda pelo Zen, a fim de despertar o caminho da iluminação pela beleza reflexiva das palavras.
[9] Assim como as artes literárias  a arte plástica da pintura paisagística foi influenciada pelo Zen-budismo com a mesma finalidade, porém com o diferencial do recurso visual.
[10] GOLDSTEIN, Joseph - DHARMA: O Caminho da libertação: O Nascente Budismo Ocidental – Editora Bertrand Brasil – Rio de Janeiro – R.J. 2004 – Págs. 97 e 98.

sábado, 28 de junho de 2014

A questão dos benefícios no Budismo.

Em resposta aos que perguntaram sobre quais são os benefícios no Budismo ou o que a prática nesta fé pode trazer.
Roda do Dharma


A fim de esclarecer aos consulentes sobre o Dharma e a prática para alcançá-lo, ou seja, o que significa o conceito de benefício e quais são os verdadeiros benefícios das práticas no Budismo.
Benefícios significam méritos coletados de ações (Karma) positivas desfrutadas pelos homens em uma ou várias vidas. Porém os homens contemporâneos os confundem com a aquisição de bens materiais (posses), a satisfação dos sentidos (prazeres sensoriais, momentâneos e exagerados), o despertar dos poderes paranormais e sobrenaturais (magia ou pequenas virtudes), cura de doenças ou efeitos físicos ou a eminência da morte, o que gera como conseqüências o apego à vida e o medo da morte.
Orquídea
Os benefícios relacionados às práticas expostas pelos ensinamentos do Budha Shakyamuni são o autoconhecimento, a compaixão e o despertar das seis virtudes (paramitas)[1] – generosidade, moralidade, sabedoria prajna, paciência, diligência e concentração - e compreensão, contemplação e plena atenção aos fenômenos (internos e externos). Sendo assim, os legados mais importantes deixado pelo Buddha foram a moralidade e a sabedoria, como caminhos para a plenitude da vida e como comunhão com a essência mais sagrada da vida. Assim como fez Jesus Christos que se empenhou em ensinar os homens de sua época e de seu país, os caminhos da moralidade e do respeito, através das contemplações metafísicas das práticas dos Essênios[2] e das austeridades estóicas[3].
Os Essênios e Jesus Christos
Porém, os homens comuns se atentam para as virtudes menores, ou seja, os poderes psíquicos e mágicos e os resultados de curto prazo ligados aos valores materiais e aos sentimentos desnecessários, assim como, a valorização da avareza, da vaidade, da quantidade e do desdém aos demais. Características, estas, defendidas e vociferadas pelos adeptos da Teologia da Prosperidade e do Budismo de Resultados, como valores para “a satisfação e a glória pessoais” e sinais de “bênçãos” e “salvações”.
Mas o papel fundamental dos ensinos expostos pelos avatares eram a plenitude da vida, a temporaneidade (impermanência) e as ferramentas importantes para atingirmos/despertarmos as nossas sabedorias e as comunhões com o Dharma contido em nossas essências e em nosso caráter.
Meditação
Pois como o Buddha havia exposto, aqueles que controlam seus desejos e as suas mentes alcançam as suas verdadeiras auto-realições, diminui as dores e as amarras de suas Rodas de Sansara[4].
Desta forma os ensinos expostos têm o objetivo de religar os homens aos seus lados mais sagrados e a viverem livres de desejos, das ilusões e dos apegos. Mas que os homens comuns, a plebe, a fim de manter seu apego às ilusões, as paixões intensas e aos valores efêmeros, desprezam esta proposta e buscam a anistia, através da retórica vazia e de uma atitude momentânea e teatralizada, uma falsa moral, da qual ele exige do outro, porém se atenta para a “espetacularização da fé”, gerando assim desonestidade intelectual e social e, conseqüentemente, aprofundando suas amarras kármicas[5].
Sábios e o Dharma


Notas e referências bibliograficas:
[1] YÜN, Hsing – Budismo: conceitos fundamentais – Editora Cultura - São Paulo – S.P. – 2005 – págs. 106 à 107.
[2] Os Essênios foram uma sociedade secreta de homens reclusos dedicados aos estudos esotéricos e metafísicos, considerados como um braço judaico das Ordens Esotéricas do Egito, que por sua vez eles transmitiram seus ensinos à Jesus Christos e aos seus discípulos de confiança. Foram registrados nos Manuscritos do Mar Morto. LEWIS, H. Spencer – As Doutrinas Secretas de Jesus – Grande Loja do Brasil – 1998 – pág. 17, MEUROIS-GIVAUDAN, Anne e Daniel – O Caminho dos Essênios: A vida oculta de Cristo relembrada– Editora Objetiva - pág. 119 e TARNAS, Richard – A Epopéia do Pensamento Ocidental – Bertrand Brasil – Rio de Janeiro – R.J. – 2008 – págs. 161 e 162.
[3] Segundo os historiadores cristãos e historiadores da filosofia o Estoicismo foi o elemento helenístico que influenciou a moralidade cristã e prática da austeridade no cotidiano. TARNAS, Richard – Op. Cit– págs. 119, 137 e 162 e . MARCONDES, Danilo – Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos à Wittgenstein– Editora Jorge Zahar – Rio de Janeiro – R.J. – 2010 – pág. 92.
[4] Darmapada:Adoutrina budista em versos – L&PM Editores – Poto Alegre – R.S. – 2009 – págs. 111 à 115 e YÜN, Hsing – Budismo Puro e Simples: Comentário sobre o Sutra das Oito Percepções dos Grandes Seres – Editora Cultura - São Paulo – S.P. – 2002 – págs. 08, 51 à 53.
[5] LIVRAGA, Jorge Angel – O Alquimista: A trilha de um jovem nas ciências ocultas – Editora Nova Acropole - Brasília – D.F. – 2010 – pág. 162.